intervenções coletivas e porNIgrafias: ame I

8 de Maio 2009 na mídia... Entrevista de Fernando Cocchiarale ao Viver!

Viver

“O conceito de arte está ultrapassado”

Fábio SeixoProfessor e crítico de arte Fernando Cocchiarale debate a diversidade da produção artística contemporânea
07/05/2009 - Tribuna do Norte 

Yuno Silva - Repórter 

Injetar sangue nas paredes esburacadas de edifícios que fazem parte do Patrimônio Histórico da cidade, com o intuito de despertar a magnitude de outrora; construir versões simplificadas dos jardins suspensos da babilônia no terminal rodoviário; desenhar marcações de acidentes em ruas movimentadas da cidade, chamando atenção para a falta de educação no trânsito... essas são apenas algumas das surpresas preparadas para ilustrar as comemorações do Dia do Artista Plástico (8 de maio), e estão fazendo parte do cotidiano da capital potiguar durante essa semana.

Tais experimentações e intervenções urbanas (oito no total), mais ciclo de palestras, exposições e feira de artes fazem parte da programação proposta pelo Núcleo de Artes Visuais da Fundação Capitania das Artes, que segue até o próximo sábado. As intervenções começaram ontem na cidade.

Mesmo os mais desatentos não ficarão alheios às comemorações, pois uma série de obras estarão circulando nas janelas traseiras de seis ônibus urbanos (busdoor) com releituras atuais de trabalhos do artista plástico Moura Rabelo, o grande homenageado deste ano – um sétimo ônibus será inteiramente grafitado ao vivo no dia 9, às 16h, em frente à Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), Ribeira, durante realização da Feira de Artes Visuais, onde obras estarão expostas e à venda por preços acessíveis (até R$ 50).

Hoje, às 19h, no auditório da Funcarte, o crítico de arte e curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro professor Fernando Cocchiarale, e o artista plástico potiguar Fábio di Ojuara encerram o ciclo de debates com a palestra “A Diversidade na Produção da Arte Contemporânea: Meios, Linguagens e Discursos”.

Para tentarmos desmistificar esse conceito de arte contemporânea, se é que é realmente necessário compartimentar o pensamento em relação à essas novas possibilidades artísticas, o VIVER conversou com o artista carioca Fernando Cocchiarale sobre o assunto.

Autor de várias Mostras, especialmente em vídeo, no Brasil e no exterior, Cocchiarale integrou – no início da década de 1990 – a conceitual retrospectiva “Anos 70 – Fotolinguagem”, exposição coletiva e comemorativa que esteve em cartaz no Parque Lage, Rio de Janeiro. Formado em filosofia pela PUC-RJ, passou a escrever sistematicamente para publicações de arte e hoje atua como professor de História da Arte e Estética do curso de especialização em História da Arte e Arquitetura no Brasil. Também é curador do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Essa busca pela contemporaneidade não acaba reprimindo a produção e deprimindo os artistas, principalmente aqueles que ainda estão em busca da própria personalidade?
Na verdade, esse é um sentimento que atordoa, desnecessariamente, artistas de todo o mundo: não há busca nenhuma pela contemporaneidade, pois estamos vivendo inseridos nela. Ela está aí, não precisamos procurar nada. Basta acreditar no que se está fazendo e refletir nos motivos que instigaram a criação. 


E é possível, dentro de um contexto histórico, conceituarmos a arte contemporânea?
 Não há essa possibilidade teórica se continuarmos restritos aos conceitos criados há 500 anos. O que as pessoas (artistas e público) precisam perceber é que o conceito de arte que está impregnado na sociedade ocidental é ultrapassado, arcaico, onde a arte estava distante do cotidiano e era vista – simplificadamente - como o objeto belo que fica exposto em um pedestal ou fixado na parede. Bastava apenas existir e estar à mostra em lugar propício (museus, por exemplo) para ser considerada arte.


Há então uma crise?
Exato, essa tentativa de se conceituar a arte contemporânea está em crise há, pelo menos, uns 60 anos. Ainda acredita-se que algo que está próximo ao próprio cotidiano não é arte. Hoje a arte pode ser útil, ter uma utilidade real no dia-a-dia das pessoas e isso é difícil mesmo de ser entendido de uma hora para outra. Ainda produzem e pensam arte sob a ótica exclusiva do objeto, o que implica na redução dos processos criativos à esfera do fazer. Na arte contemporânea há toda uma reflexão, que propõe um pensamento sobre a própria arte.


Por isso o estranhamento por boa parte do público?
Não que seja estranho, na verdade é o contrário: a arte contemporânea está bem mais próxima de nós do que antes, e talvez, justamente por isso, as pessoas estranhem. Estranho mesmo é o conceito ultrapassado de que a arte deve ser contemplativa. Inclusive, cada cultura tem seu próprio conceito: um católico enxerga uma imagem diferente de uma pessoa de outra religião, por exemplo.


A arte contemporânea é efêmera, uma vez que performances e intervenções são temporais?
Se considerarmos a efemeridade temporal sim, ela é efêmera. Mas se considerarmos o registro dessas ações teremos a perpetuação dessa arte.


* Tribuna do Norte, de 07/052009

O CARÁTER ARTÍSTICO DA CIDADE

Fermentações Visuais no VIVER/TN » Toda Terça!
Japers
Por Rosane Felix e Sanzia Pinheiro
28/04/2009 - Tribuna do Norte

   A cidade como um acervo de arte, é o que sugere um grafite belíssimo na esquina da Avenida Prudente de Morais com a Rua Miguel Castro. O trabalho, possuidor de grande delicadeza é assinado por Japers. Na imagem é possível ler duas frases “solte as flores” e na “teoria a prática é outra”. A primeira nos fez pensar no artigo de Lúcia Marciel Barbosa de Oliveira e Liliana Sousa e Silva, a Cidade Como Experimentação no qual as autoras pensam a cidade como projeto coletivo: A cidade como teatro do encontro, como espaço de criatividade, como sistema de vida que desenvolve desejos e como projeto cultural.

   A idéia de coletivo se distancia das idéias de massa e povo e se aproxima da idéia de coletivo como afirmação de uma multiplicidade de singularidades, de individualidades, voltadas para a ação conjunta. Neste sentido é interessante pensar a “poética do espaço” presente no transitório diálogo que produções marginalizadas, tão presentes em nosso cotidiano como o grafite, lambes e stencil pelas ruas, lançam ao transeunte que vivencia e observa o espaço. Questões de significado diverso, como o pertencimento, o simbolismo e historicidade presentes no ato de apropriação de lugares públicos, por parte de artistas invisíveis que compartilham conosco suas intervenções.

   A importância de entender a cidade, enquanto produção artística, fruto não só do planejamento urbanístico, mas da representação que a ela dermos através de nossa percepção, estabelece diálogos de naturezas diversas através da arte, adicionando possibilidades que extrapolam o fluxo utilitário do espaço público cotidiano. O significado dessa experiência perceptiva fomenta a compreensão da cidade como um coletivo de interesses diversos, que reconhece o imaginário de cada morador como símbolo e parte da sua história.

   “Na prática a teoria é outra” e “solte as flores”, fazem pensar na cidade como um lugar poético, portanto estético e artístico. Lembra o poema “a flor e a náusea” de Drummond. A arte das ruas nos oferece a oportunidade de quebrar a uniformidade dos dias, forjando com linhas, formas e cores novas possibilidades de existir e vivenciar Natal. Perceber a arte na cidade seria então um convite a “soltar as flores” de nossa percepção, ao percorre a cidade que vivenciamos, deflagrando assim, um olhar assimétrico sobre a própria arquitetura do ambiente e sobre acontecimentos sociais e políticos.



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O prazo para a participação na Ação História de Cinema foi prorrogado! Agora você tem até 30 de abril para enviar seu vídeo (de até cinco minutos) e concorrer a uma bolsa em uma oficina de adaptação na Academia Internacional de Cinema e a produtos do Itaú Cultural. Mais: www.itaucultural.org.br

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O Governo do Estado, através da Fundação José Augusto abre inscrições para dois editais O Prêmio William Cobbet é um concurso para produção de curtas metragens, até 15 de junho. O valor destinado a cada um dos projetos será de R$ 20.000, 00; O Prêmio Cornélio Campina de Cultura Popular tem inscrições abertas até 08 de junho, a seleção dos projetos é de grupos tradicionais da cultura popular do Estado. A premiação é de R$ 6.000,00 cada. Mais: www.fja.rn.gov.br.

Artistas natalenses celebram o 8 de Maio


8deMaio
Muitos não sabem, mas Natal é uma das poucas cidades brasileiras a comemorar o Dia do Artista Plástico, lembrado em 8 de maio. Não é para menos, afinal, a capital potiguar sempre respirou ares vanguardistas, especialmente no tocante às artes. A data, comemorada há dez anos, será lembrada durante seis dias (de 04 a 09 de maio) pela Capitania das Artes.

“O tema que permeia os cinco dias de programação resgata a memória desses dez anos das artes visuais em Natal”, explica a coordenadora do Núcleo de Artes Visuais da Funcarte, Sanzia Pinheiro. Intervenções urbanas, palestras, Feira de Artes Visuais no Porto de Natal, exposições, grafitagem e ônibus circulando com obras de arte se espalham por toda a cidade durante os sete dias de evento. Todas as manifestações artísticas podem ser vistas gratuitamente.

Palestras

A abertura das comemorações do Dia do Artista Plástico acontece dia 4 de abril (segunda-feira), às 19h, no Auditório da Capitania, com Pedro Pereira e Jota Medeiros conversando sobre os “10 Anos do 8 de Maio a 100 Anos de Natal Futurista”.

Na terça-feira (05/05), o artista cearense Jared Domicio também estará no auditório da Capitania das Artes, a partir das 19h, proferindo a palestra “Projetos e Portfólios: Ideias e Construções”.

O ciclo de palestras é encerrado na quinta-feira (07/04) pelo paulista Fernando Cocchiarale e pelo potiguar Fábio di Ojuara, que dialogam com a platéia sobre “A Diversidade na Produção da Arte Contemporânea: Meios, Linguagens e Discursos”.

Intervenções urbanas relembram artes visuais em Natal

Na quarta (06/05), na quinta (07/05) e na sexta-feira (08/05), dez intervenções urbanas acontecem nos quatro cantos de Natal, todas com temáticas relacionadas à memória das artes visuais na capital.

Além disso, os ônibus da cidade se tornam um instrumento de expressão da arte. Um ônibus inteiro será grafitado ao vivo, e quatro ônibus circularão com bus doors (janela traseira do ônibus) que levarão releituras particulares de artistas natalenses das obras de Moura Rabello, cujo legado artístico é considerado um dos mais importantes da história potiguar.

Exposições

Duas exposições serão inauguradas em comemoração ao Dia do Artista Plástico. A mostra coletiva de pintura “Nuances” abre na quarta-feira (06/04), às 18h, no Natal Shopping, sem tempo de exposição definido.

No sábado (09/04), acontece na Galeria de Artes da Funcarte , às 19h, a vernissage da exposição sobre arte contemporânea realizada também por um coletivo de artistas, a qual se estende até 20 de maio.

Feira de Artes Visuais

Às margens do Potengi, em frente à Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), as pessoas poderão ver no sábado (09/05) as obras expostas na Feira de Artes Visuais, e o melhor: terão a oportunidade de comprá-las por, no máximo, R$ 50.

“Além do preço, estabelecemos um limite de tamanho para as obras, que não deve ultrapassar 30 X 30. É uma forma de estimular a comercialização dessas artes, uma das metas da nossa gestão. Os filhos podem até comprar os presentes do Dia das Mães lá”, brinca Sanzia Pinheiro. Os artistas interessados em expor obras na Feira já podem se inscrever na Capitania das Artes.

O artista plástico de São Paulo Rafael Beznos também participa da Feira projetando imagens da cidade que podem ser modificadas pelos participantes, o que permite a eles fazer intervenções urbanas na cidade.

Arte (in) (ter) ativismo ou transgressões convergentes

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foto: GIA_BA

Por Rosane Félix Ferreira (*)
14/04/2009 - Tribuna do Norte

Discutir Arte como um conceito puro tornou-se praticamente estéril. Por mais que teorizemos, ela (com letra maiúscula ou minúscula) permeia setores sociais, atende a distintos e diversos interesses que por vezes sem fim se chocam e se anulam. 

O caminho artístico pressupõe domínio de técnicas, uso de materiais e procedimentos institucionalizados, que ao longo do tempo têm sido postos em xeque no ocidente desde os primeiros movimentos modernistas.

Experiências artísticas deflagradas por coletivos como o GIA_BA, o ENTORNO_DF, o OXENTE_RN, o EIA_SP, dentre outros, expressam mundos particulares que são trazidos para a esfera das políticas culturais e dos direitos civis em países “democráticos”, onde sabemos que a garantia dos mesmos dificilmente poderão ser exercidos pela maioria da população inscrita numa condição de pobreza e ignorância extrema. 

O ativismo na arte contemporânea mostra claramente o quanto é necessário imprimir na existência humana a condição artístico-estética, de ser e estar no corpo, no bairro, na cidade, enfim, na realidade social e cultural de onde se está inserido, vivenciando a expressão de nossas ações cotidianas.

É interessante refletir sobre a produção artística coletiva, que tem suas origens na década de 70/80, com grupos como o Viajou sem Passaporte, 3Nós3 e Manga Rosa, nos quais as ações tinham claros objetivos políticos, em contraponto a muitas ações coletivas da atualidade que se configuram muito mais como um espaço de sociabilidade, visibilidade e subjetividade que por outras vias seriam praticamente inexistentes, convergindo para novas transgressões nos campos da arte. Tudo passa a ser transitório, investigativo, vivencial, abre lacunas, interroga, preocupa, causa estranhamento e transformação.

Há um ciclo que se constitui a partir dessas ações como o despontar de artistas com propostas mais consistentes, participação em exposições, salões, bienais e afins e residências. Todo esse movimento não substitui o mercado e o circuito da arte, mas realiza uma ventilação, insere circuitos paralelos, amplia a atuação crítica e curatorial.

Ainda não somos a projeção do discurso ético, político e estético que precisamos, mas também não somos a sombra do velho discurso projetado na modernidade.

Estamos construindo um discurso através de ações coletivas que deem conta das realidades e dos indivíduos, produzindo arranhões na estrutura de maneira híbrida, fluida e conectiva, que libere nosso poder criativo de viver ética e dignamente.

(*) Graduada em artes visuais pela UFRN, artista e arte educadora da rede municipal de ensino de Natal ni_felina@hotmail.com

A arte e a cidade

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Sânzia Pinheiro/texto de Almandrade
10/03/2009 - Tribuna do Norte

Não diz respeito à arte invasão de caricaturas como certos monumentos e muros pintados que mascaram ou são atributos de decoração da paisagem urbana. O artista tem um responsabilidade e uma cumplicidade quando leva para a rua o seu trabalho. Não é simplesmente colocá-lo na praça, sem passar por um processo de reflexão e a daptação ao espaço público. Vivemos num mundo dominado pela imagem, e a arte deve ser a imagem que desvia o olhar para o pensamento e para o poético.

Se fazemos parte de uma civilização da imagem, das técnicas de publicidade, do design, do planejamento, a visualidade urbana é um campo simbólico onde tudo é subistituível, o que significa o processo contínuo de construção e reconstrução do espaço urbano. Um lugar de lutas, de lazer, de trabalho e devaneios de gerações. Esse espaço construído sem surpresas, sem novidades, sem espectativas, precisa ao menos ser conservado como um corpo vivo de uma sociedade. A cidade necessita da arte para construir seu espaço sensorial. A paixão pelas formas, pelas cores, sempre fez parte da história do homem, desde os tempos das cavernas.

A arte e a rua estão às vezes ligados pelo mesmo equívoco. Os lugares públicos são invadidos por determinadas imagens, sem dúvida fenômenos culturais, mas sem nenhuma preocupação de conceitos e formas com a realidade local; distante, portanto, daquilo que a história tem nos ensinado como arte. O pacto que vai determinar a inserção da arte na cidade não se reduz a finalidade utilitárias de estetizar o campo social. O espaço urbano é um suporte de visualidades estranhamente díspares, e a intervenção da arte é um meio de gerar conhecimento que altera, ou enriquecem a percepção do cotidiano, além de marcar a paisagem urbana com a referência do enigma que faz da cidade também um abrigo de imagens poéticas.

Para se defender da ameça do tempo e sustentar uma demanda de eternidade, o homem inventa, com a arte, simbolos secretos que atravessam gerações e os depositam, entre compartimentos, no espçao urbano. As ruas e praças são incorporadas de significações singulares (imagens subjetivas), que revertem a banalização da imagem urbana desenhada por um planejamento que desconhece ou desconsidera as fantasias e devaneios de seus usuários.

Escassos recursos para se construir espaços habitáveis, perda de tempo nos deslocamentos, carencias de valores simbolicos, um esquema rigoroso e impessoal de um planejamento voltado para a ortopédia social, contradizem as necessidades materiais, sociais e psicológicas da qualidade de vida nas grandes cidades. É inegável a exatidão da vida prática moderna modelada pela economia, pela administração e pelo tempo do relógio, intensificando ainda mais a indiferença aos sentimentos e às paixões. É reduzido, ao usuário, o direito de viver sua própria individualidade. Ao contrário da publicidade, que invade o espaço habitável para vender um produto, ou de certos murais e monumentos que ilustram o compromisso de um sintoma cultural, a arte devolve ao sujeito sua intranquilidade perdida, expõe ao olhar o desconhecido, fazendo um convite ao pensamento. Com a arte, se introduz na cidade um comportamento perceptivo, um olhar descontraído. A liberdade de imaginar.

A arte devolve ao homem o prazer de estar diante de signos que não ditam ordens de serviços ou de consumo.

Sites de artes visuais

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Divulgação

Conferências e performances de Yves Klein estão no UbuWeb

Sânzia Pinheiro e Afonso Martins
10/02/2009 - Tribuna do Norte

O texto que segue é um resumo da matéria de Fábio Cypriano, publicada na Folha, em 27 de janeiro de 2009: A Folha de São Paulo, solicitou a artistas, curadores e galeristas, que indicassem os sites que visitam com maior frequência. A votação apontou o Artforum.com como líder da lista de melhores sites de artes visuais. Por meio de newsletters gratuitas, revistas on-line ou mesmo um “YouTube das artes”, como é chamado o site UbuWeb, pode-se acompanhar não só a produção atual como o debate sobre ela e seus reflexos no mercado. 

O líder, com seis indicações, foi o site da revista Artforum, mencionada pelos curadores Adriano Pedrosa, Rodrigo Moura, Lisette Lagnado e Solange Farkas, além das galeristas Márcia Fortes e Luisa Strina. Americanófila e um tanto leviana, é uma mistura estranha entre a “Vogue” e a “October”. Já em segundo lugar, com quatro indicações, ficaram empatados E-flux, UbuWeb e a revista brasileira Trópico. O E-flux é uma newsletter gratuita que, diariamente, envia por e-mail, a seus 40.116 mil cadastrados, duas ou três mensagens com aberturas de exposições ou outras informações do circuito.

A precisão na qualificação de seus afiliados é interessante. Segundo o site, do total de cadastrados, 47% são europeus, 42% norte-americanos, e 11% de outros continentes, sendo que 18% são críticos de arte, 16% galeristas, 16% curadores, 15% membros de museus, 12% artistas, 10% consultores e 8% colecionadores. Outro serviço de newsletter, mas pago, é o Baer Faxt. A assinatura anual do serviço está em US$ 200 (R$ 471). Numa de suas edições de dezembro, em pesquisa com seus leitores, a mostra de Cildo Meireles na Tate foi indicada como menção honrosa por melhor exposição em museu europeu.

Já o UbuWeb, também com quatro indicações, possui um acervo impressionante, reúne milhares de trabalhos em vídeo, áudio, poesia experimental, performances e obras dos anos 1920 como as conferências de Yves Klein (1928-1962).

Site brasileiro com mais indicações, a revista Trópico tem como responsável o editor de Moda da Folha, Alcino Leite Neto. Em terceiro lugar, com três indicações, ficaram empatadas a versão digital da revista inglesa Frieze, do mesmo estilo da Artforum, e o brasileiro Fórum Permanente, uma plataforma com artigos, informações e eventos próprios. Com duas indicações, aparece ainda o Canal Contemporâneo, que se apresenta como uma “comunidade digital focada na arte contemporânea brasileira para promover sociabilidade”, com afiliação paga ou gratuita, que dá direito a newsletters diferenciados. Também com duas indicações foi mencionado o site do Itaú Cultural, que contém a maior enciclopédia virtual das artes plásticas brasileiras.
 
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